Além do suposto risco para adolescentes, o tema do trânsito continua sendo um dos principais argumentos dos opositores da legalização contra a reforma. Um estudo publicado em janeiro de 2026 examinou novamente os efeitos do cannabis na segurança viária.
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O resultado surpreende: embora o cannabis tenha sido descriminalizado na Alemanha, houve uma redução nas direções sob influência direta. Uma comparação com o país vizinho Áustria demonstra claramente que uma política de drogas repressiva não melhora a segurança viária. A descriminalização na Alemanha, portanto, não transmitiu nenhum „sinal errado“, contrariamente a todos os prognósticos negativos. Paralelamente, outro estudo confirma que os limites atuais de THC são cientificamente insustentáveis, pois podem ser ultrapassados mesmo em completa sobriedade.
Amostras da Alemanha e Áustria
Os participantes do estudo foram entrevistados por meio de pesquisa online sobre seu consumo de cannabis e participação no trânsito nas primeiras duas horas após o consumo. Antes da descriminalização, 6.670 pessoas na Alemanha e 2.132 na Áustria foram entrevistadas. Após a reforma, a amostra consistiu em 9.692 alemães e 2.102 austríacos.
O resultado mostra uma dinâmica interessante: na Alemanha, o número de pessoas que consumiram cannabis pelo menos uma vez nos últimos 30 dias aumentou de 12,1% para 14,4% – um aumento moderado que, no entanto, não é necessariamente atribuível à descriminalização. No mesmo período de observação, o consumo na Áustria aumentou de forma quase idêntica, apesar da proibição rigorosa.
Menos direções sob influência do cannabis apesar da liberalização
Contrariamente a diversos temores, houve até uma leve redução nas direções sob influência direta do cannabis. Os participantes foram perguntados com que frequência dirigiram um veículo nos últimos 12 meses durante as primeiras duas horas após o consumo. Enquanto antes da descriminalização na Alemanha 28,5% dos consumidores relatavam ter dirigido um veículo nesta janela de tempo crítica, após a reforma esse número caiu para apenas 26,8%. No mesmo período, houve um leve aumento na Áustria de 12,8% para 16,3%.
Este aumento na Áustria, embora estatisticamente não significativo o suficiente para ser classificado como consequência direta da política alemã, demonstra: não há relação entre a legislação e o comportamento de direção dos consumidores. Nem ocorreu o caos esperado nas ruas da Alemanha, nem a política repressiva na Áustria conseguiu aumentar a segurança viária.
O estudo também distinguiu entre consumo puro e consumo combinado. Aproximadamente 21,5% dos entrevistados consumiam outras substâncias além do cannabis, sendo o álcool o mais frequente. Esta proporção era aproximadamente igual em ambos os países e afetava principalmente consumidores semanais, nos quais resíduos de THC no sangue coincidiam com consumo de álcool nos fins de semana.
Limite ultrapassado apesar de ausência de comprometimento
No contexto da descriminalização na Alemanha, acordou-se em um limite conservador de 3,5 ng/ml no soro sanguíneo, o que corresponde a aproximadamente 1,75 ng/ml no sangue total. Um estudo americano publicado em 2026 demonstrou que pessoas já completamente sóbrias podem ultrapassar este valor baixo até dias depois. O estudo envolveu 190 consumidores de cannabis que foram instruídos a absterem-se de qualquer consumo por 48 horas.
O resultado é alarmante para a prática jurídica: em 43% dos participantes, o THC foi detectável no sangue após dois dias de abstinência. 24% dos participantes apresentaram um valor superior a 2 ng/ml no sangue total mesmo após 48 horas. Em 5,3% dos participantes, um valor superior a 5 ng/ml foi medido.
Os editores do estudo enfatizaram que um limite de THC estático sozinho serve apenas de forma muito limitada como indicador de um comprometimento real. A longo prazo, mais pesquisa é essencial para desenvolver métodos que permitam determinar de forma objetiva e justa um comprometimento real.









































