Foi um longo caminho até a descriminalização parcial dessa planta estigmatizada. Mas desde a mudança de governo, tentam – como era esperado – restringir gradualmente a liberdade conquistada até agora. Com exigências constantes de endurecimento, a Alemanha está atualmente em retrocesso. Contrariando os primeiros resultados de avaliação, que não indicaram necessidade de ação, setores conservadores continuam pressionando por restrições mais severas.
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Tolerância zero para consumo misto de cannabis e álcool
Em 21 de novembro, o Conselho Federal aprovou em sessão que, em caso de consumo misto de cannabis e álcool pela primeira vez, a aptidão para dirigir seja verificada, ou seja, o condutor seja encaminhado para avaliação psicológica. O Conselho Federal agora sugere ao Bundestag que incorpore essa decisão no Anexo 4 da Regulamentação de Licenças de Condução e a estabeleça legalmente. O absurdo disso: consumo misto seria considerado presente já quando traços de ambas as substâncias forem detectados.
O Conselho Federal enfatizou que o consumo misto de cannabis e álcool, independentemente da quantidade comprovada, indica genericamente falta de capacidade de discernimento. Porém, essa exigência não é viável na prática: se alguém fumou um cigarro de cannabis uma semana atrás e tomou uma cerveja hoje, isso seria suficiente segundo a nova lei para ordenar uma avaliação psicológica. Por uma brecha legal, essa lei poderia novamente sancionar injustificadamente consumidores de cannabis.
Na prática, isso significaria que mesmo com consumo esporádico de cannabis, nunca seria permitido beber uma gota de álcool. Segundo a nova lei, a simples detecção das duas substâncias – independentemente dos respectivos limites – seria suficiente para impor uma avaliação psicológica.
Proibição de clubes de cultivo é exigida
Estados federados liderados pela União exigiram que clubes de cultivo sejam proibidos no futuro. Uma proposta de decisão correspondente é objeto da atual conferência de ministros do interior, que ocorre nestes dias. Essa exigência é apoiada em dados do EKOCAN, publicados recentemente durante a primeira avaliação. Segundo isso, clubes de cultivo até agora conseguem cobrir apenas 0,1% da demanda. A União refere-se literalmente a um desenvolvimento problemático grave.
Porém, o que não é mencionado nessa exigência é por que clubes de cultivo até agora contribuem apenas marginalmente para atender à demanda: clubes de cultivo foram perseguidos com enormes obstáculos legais desde o início da descriminalização parcial. Particularmente em estados federados conservadores como a Baviera, eles são sistematicamente sabotados, de modo que muitos desistem.
Como resultado, a culpa é procurada na descriminalização parcial, que devido a essa implementação inadequada não consegue reduzir suficientemente o mercado negro. Se uma proibição de clubes de cultivo pode ser decidida é questionável, mas apenas uma proposta correspondente mostra qual continua sendo a imagem inimiga do cannabis na política liderada pela União.
Quantidades de posse devem ser reduzidas
Como já havia poucos meses, Streeck novamente defendeu em entrevista uma redução das quantidades de posse permitidas. Ele apontou que 50 gramas poderiam render 100 cigarros de cannabis, o que seria uma quantidade muito grande para uso pessoal. Uma dupla moral, considerando que tais restrições não existem para outras substâncias legais.
Se alguém tivesse 50 garrafas de destilado em casa – o que também não é uma quantidade de consumo usual – ninguém se importaria. Novamente criticada foi também a quantidade de „traficante“ de 25 gramas em trânsito, que dificulta à polícia identificar traficantes. Streeck também apoiou a proibição de prescrições online, apontando para o aumento drástico no ano anterior.
Pouco surpreendente é que outras vozes da União exijam até mesmo a revogação completa da lei de cannabis. Recentemente, o ministro federal do interior Dobrindt (CSU) defendeu a abolição total da lei.
Consequências legais insuficientes para adolescentes
Críticas também vieram da ministra da justiça Marion Gentges (CDU). Desde a descriminalização parcial, significativamente menos adolescentes seriam punidos por cannabis. Ela falou de „fumar sem consequências“ e criticou que o estado careça de base legal, através da lei do governo anterior, para sancionar adequadamente consumidores adolescentes.
Mas o que a perseguição de adolescentes trouxe no passado? Problemas na obtenção da licença de condução e consequentemente uma possível carreira profissional bloqueada – uma espiral descendente que trouxe consequências muito mais drásticas do que o cigarro de cannabis jamais poderia ter causado.




































